Polícia vai ouvir outros 3 PMs no caso de mulher arrastada no Rio
Policiais militares foram intimados na condição de testemunhas.
Reconstituição será feita para esclarecer circunstâncias da morte.
Três policias militares que participaram da operação no Morro da Congonha, no Subúrbio do Rio, no domingo (16), vão prestar depoimento na 29ª DP (Madureira) nesta quinta-feira (20). A ação terminou com a morte da auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos, que foi arrastada por um carro da polícia no caminho para o hospital, logo após ser baleada.
O cabo Gustavo Meirelles e os sargentos Ricardo Machado e Paulo Henrique serão ouvidos na condição de testemunha, como mostrou o Bom Dia Rio. A expectativa é que eles possam ajudar a esclarecer de onde partiu o tiro que matou a moradora.
Familiares de Cláudia Silva Ferreira também prestar depoimento na sexta-feira (21). A reconstituição do crime só será feita depois que todas as testemunhas forem ouvidas no inquérito que investiga o caso.
Três PMs estão presos
Os três policiais militares que socorreram Cláudia prestaram novo depoimento na quarta-feira (19) na 29ª DP (Madureira). Eles entraram na delegacia escoltados por outros policiais e não falaram com a imprensa.
Eles estão presos em Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, e também são investigados pela Corregedoria da PM. Cláudia foi baleada durante uma ação dos policiais na comunidade e, ao ser levada para o Hospital Carlos Chagas, foi arrastada por 350 metros ao ficar pendurada pela roupa no carro da PM.
O primeiro depoimento dos PMs foi realizado no domingo (16), antes de as imagens de Cláudia sendo arrastada no asfalto serem divulgadas.
Dúvidas
A morte da moradora baleada e arrastada por um carro da PM ainda não foi totalmente esclarecida. O comando do 9º BPM (Rocha Miranda) afirmou que os policiais realizavam uma operação na favela. Mas não há explicação sobre os motivos que levaram os PMs à comunidade no domingo de madrugada, nem a confirmação de quantos homens participaram.
O comandante do Batalhão, tenente coronel Wagner Moretzsohn, disse, por telefone à TV Globo, ainda no domingo, que a ação começou às 5h30 da manhã. Em nota, a assessoria da PM divulgada no mesmo dia informava que com a chegada dos policiais houve troca de tiros. Os moradores negam que tenha ocorrido confronto com supostos traficantes.
O tenente coronel disse ainda que Cláudia foi baleada por volta das 8h, quase três horas depois da chegada dos policiais na favela. O comandante disse que ela foi atingida quando os policias trocavam tiros com um grupo de vinte criminosos.
A filha mais velha de Cláudia, Thaís Lima, disse na terça, em entrevista ao Bom Dia Rio, que a mãe já havia caído antes, quando a viatura deixava o morro. Por meio de nota, Polícia Militar lamentou a morte de Claudia. A corporação informou que 12 policiais militares participaram da operação e que o objetivo era checar denúncias de que bandidos da Vila Kennedy, ocupada pela polícia na quinta-feira (13), teriam fugido para o Morro da Congonha.